Tem dias que me sinto aquele cachorro que sai correndo atrás da roda do carro e quando o carro para ele para junto e já não quer mais. E tem dias que me sinto a roda do carro que tem sempre alguém correndo atrás e quando eu paro, o cachorro que já não quer mais. Estou sempre correndo atrás de alguma coisa que eu nunca sei definir.
Corri tanto atrás de uma profissão que eu amasse e agora me sinto morna em relação a ela. Corri tanto atrás de uma independência e agora não sei para onde ir com ela. Corri sempre querendo o corpo perfeito e agora que atingi o peso que sempre quis me sinto desmotivada sobre o meu corpo.
Tenho que admitir que nessa intensa corrida cresci muito. As vezes gostaria de ter essa maturidade lá trás quando vi a roda do carro girando pela primeira vez.
Queria me contentar quando o carro para, queria abraçar a roda, brincar com ela, fazer xixi nela, qualquer coisa que me deixasse satisfeita no final das contas. Mas não é isso, não pode ser só isso. A felicidade não pode ser tão estável. O ser humano não pode se contentar com tão pouco, imaginem só? Me contento com tão pouco que tenho medo de ter muito e não saber administrar. Nunca sou boa o suficiente para isso ou para aquilo, imaginem só eu ter uma roda girando só pra mim pra eu correr atrás quando bem entender? Sou bem vira-lata pra falar a verdade.
No fundo nem sei bem onde quero chegar com tudo isso, e rezo para que eu não seja a única a acordar de manhã sem saber se a direção que tomei é a certa. Uma delas eu tinha que escolher.